um pobre e humilde emigrante fod***
Caro Dr. Kude Bomba, meu velho amigo de há quase 8 dias. Escrevo-lhe porque preciso de desabafar e acho que só alguém do seu calibre é que me poderá ser útil, perante todas as difíceis calamidades e lesões que tenho sentido ultimamente.
Ora, antes de mais nada, quem sou eu? Boa pergunta doutor, fez muito bem em tê-la formulado. Ora, eu sou apenas um pobre e humilde emigrante. Sim senhor, um desses que teve de abandonar a lusa pátria portuguesa para ir procurar melhores condições de vida nas terras do estrangeiro. Como sabe, não me estou a referir propriamente ao Algarve, embora eu até ache que se pode considerar o Algarve como sendo o estrangeiro. Pois é, doutor, é mesmo isso que eu sou. Um mero emigrante afastado de casa e da família. Antes de mais nada, convém afirmar que a vida no estrangeiro não tem sido nada fácil. Há muita discriminação contra os portugas, sabe como é, querem-nos apenas para o trabalho pesado, tratam-nos como se fôssemos pretos ou russos, é uma discriminação completa na maior vigarice e gatunagem, não tem nada a ver com o nosso país. Então e as máfias?! Nem queira o doutor saber como elas são! O pouco que ganho vai quase todo para elas. Sobra-me muito pouco para comer mais do que um chouriço de salpicão por dia e não dá mesmo para enviar nada para a família.
Bem, hoje ôr duí, pensando com os meus botões, tive esta ideia... pedir um sábio conselho ao sábio Dr. Kude Bomba e assim foi. Espero que isto lhe vá parar às mãos. Com isto dos computadores todo o cuidado é pouco. Bem, é melhor é ir directo ao problema e deixar-me de merdes já que o Michel Portes, companheiro de quarto aqui no estrangeiro, está-me a fazer sinal de que esta merde é paga à hora! Fogo, pá, então, já não há nada há borliú nesta Europa?! É melhor abreviar e passar logo à vaca fria, à vache fride melhor dizendo, que isto o pessoal tem de praticar para ver se se consegue integrar. Se eu soubesse que o acordo de Xenguen era uma pensão barata com vista para um beco não me tinha metido nesta imigracion. Mas cá estou eu e completamente fodid* com o mundo e com a vida.
Então é assim, quando eu vim para aqui foi-me algo penoso adaptar mas não tive outra hipótese. As más línguas aí da terra andavam a dizer que eu tinha estado no forniqué em grupo e que tinha deixado muita gente fodi**. Mas... de tal modo fodid* que, mais cedo menos tarde, tudo isso iria arrebentar pelas costuras tal barriga de moça prenha e roliça. Eu doutor!? No forniqué?!! Eu, um acérrimo defensor da moral e dos bons costumes!! Bem, é certo que quando era teen ager, há muitos anos atrás, aviei umas quantas de camaradas numas quantas de espeluncas, fumei uns quantos de charros (mas sem travar, atenção!), bebi umas quantas de imperiais, meti umas quantas de bombas e fui sócio do Dínamo de Moscovo. Mas isso já lá vai, doutor, era um puto, ou um pute e não sabia nada da vida. Seja como for, vim para aqui. O pessoal das obras não me gramava, diziam que eu era amigo de um tal Jorge Bucha, alguém de quem nunca ouvi falar. Seja como for, esse tal Jorge Bucha era bastante odiado, e eu tive de ouvir umas quantas de bocas caluniosas de eu e ele sermos grandes compinchas, a um nível de andarmos a comer baba de camelo juntos. Baba de camelo?! Uns bons camelos foi o que eles me saíram! Tal caso só se resolveu quando encontraram esse tal Jorge Bucha e ele lhes disse que de mim nem sequer conhecia o nome, quanto mais as trombas. Mesmo depois disso, as coisas não correram melhor. Fiz amizade com um italiano, mas as suas ideias de tal modo avançadas para esta época retrógrada em que vivemos também fizeram com que, mais uma vez, os restantes pobres imigrantes me ostracizassem tal pérola numa ostra. Mas prontos, a vida lá foi andando conforme deus quer, a Laurinda faz vestidos por medida, o rapaz estuda nos computadores, dizem que é um emprego com saída.
Mas o meu mais verdadeiro problema é o seguinte. Há uns quantos de dias, depois de trabalhar arduamente lá nos andaimes, lá consegui juntar um quanto de argent e zarpei para Portugal em vacanças. Esperava passar uns quantos de dias sossegado ao sol a coçá-los,... isto é... a caçá-los... aos patos e aos gambuzinos... quando... quem é que me apareceu à soleira da casa da minha patroa?!! O meu irmão bastardo!! Mal queria acreditar!!! O tipo tinha tido a coragem!! O Dr. Kule de La Bombe não sabe, mas esse meu irmão bastardo é o maior valdevino de que não há memória! Apareceu-me à frente e eu não pude fazer nada. E o que queria o tipo?! Ora, é claro que queria o meu apoio! E para quê, pergunta muito bem o doutor. Pois eu digo-lhe!! Para assumir mais de dois terços das gravidezes súbitas das moças lá da terra!! E sabe qual o argumento do tipo?! Nem vai querer acreditar!! Que por mais que gostasse do forniqué nunca poderia ter tido tempo para emprenhar tanta gente. Fiquei pior que estragado! Parecia que estava mesmo a dar outro passo atrás na minha vida. Mas que raios tenho eu a ver com essa história!? Pá, sou apenas um pobre emigrante! Volto e o que é que me acontece? O filh* d* p*** do meu irmão bastardo aparece e tenta arrastar-me para uma velha história de que nunca ouvir falar. Mas que raios quer o gajo?! Que eu seja linchado em público pela populaça!? Assumir dois terços das gravidezes!?, mas que ********, sou apenas um pobre emigrante, foda-**!, não ganho para sustentar tanta boca!! Mas isso não foi tudo. O tipo, não contente, ainda fez questão de se passear comigo pelo vilarejo só para as pessoas se lembrarem de que somos irmãos (mas só meio e ainda bem!). Obrigou-me a ir a um baptizado de um autóctone e a tirarem-nos fotografias juntos!! ****-s*!!
Bem, felizmente, lá consegui sair desse buraco e voltar para aqui. Mas toda essa história deixou-me bastante abatido e sinto-me tentado a não voltar a pôr aí os pés nunca mais. Preciso de um sábio conselho para lidar com este abatimento porque, desta maneira, vou mesmo mandar a palavra saudade para a pu** que * pariu!
Ou revoar!
Zezé Duran du Barreuse
O DR. KUDE BOMBA RESPONDE
Caro amigo Zezé, fez muito bem em nos ter escrito e pode ter a certeza que estamos plenamente solidários com a sua dor. Ainda mais: sentimo-la como nossa! Você que vive na dureza, você que sabe o que é comer o pão que o diabo amassou, faz e constrói plenamente o perfil da pessoa que gostamos e queremos ajudar. Sim, senhor, você é um desenraizado e, não, não me estou a referir aos problemas com os seus molares, nós até sabemos que eles até devem ser bem rijos e duros.
Bem, o meu conselho é o seguinte. Junte uns trocos e volte o mais rapidamente para Portugal. Quando chegar vá ter com o seu irmão, tenha uma conversa civilizada com ele e arraste-o para a praça pública. Quando aí chegarem, comecem os dois aos berros e tentem captar a maior atenção possível. Depois, ora depois, façam os dois esse mesmo acto de contrição, já que acho que é mesmo disso que o amigo está a precisar. É fácil. É só berrarem os dois juntos para verem qual dos dois consegue urrar mais alto. FUI EU QUE EMPRENHEI TODA A GENTE! FUI EU QUE CAUSEI O FORNIQUÉ!
Bem, depois... bem, depois é só esperar. Certamente a populaça também terá algo a dizer com as mãos e com os pés. Mas não se preocupe com isso. Ao menos também vai sentir que os filhos são seus. A paternidade é uma coisa muito bonita e pode ter a certeza que vai encontrar muitos casos em que você e o seu meio irmão só conseguirão perguntar: Então e este? Chamo-o filho ou sobrinho?
Espero ter ajudado e volte sempre.
Dr. Mestre Kude Bomba
